A falta de educação financeira é um dos principais fatores que tornam o endividamento uma realidade dura para grande parte da população brasileira. De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de 2025, alarmantes 78,2% das famílias estão endividadas. Deste total, a grande maioria (83,6%) concentra suas dívidas no cartão de crédito.
Esses números não refletem apenas crises econômicas ou imprevistos, mas também apontam para uma lacuna estrutural em nossa formação. Isso porque, muitas vezes, o descontrole nasce do desconhecimento sobre como administrar o dinheiro, planejar orçamentos e entender o funcionamento do crédito. É por isso que o debate sobre levar esse conhecimento para dentro da sala de aula, especialmente nas escolas públicas, é tão urgente.
A educação financeira não se resume apenas à aplicação dos conceitos matemáticos. Ela envolve também o entendimento de conceitos, riscos e, principalmente, o desenvolvimento da confiança para aplicar esse conhecimento no dia a dia e tomar melhores decisões com o dinheiro.
Uma recente avaliação do PISA, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, revelou que países com programas estruturados nessa área possuem populações financeiramente mais saudáveis. No entanto, a mesma apuração mostrou que, no Brasil, 45% dos adolescentes de 15 anos apresentam baixo desempenho na alfabetização financeira.
Isso significa que nossos jovens possuem maior probabilidade de sair da escola sem saber resolver problemas cotidianos que envolvem dinheiro. A escola, portanto, desempenha um papel insubstituível: ao integrar a educação financeira ao currículo. Pois ao fazer isso, a instituição capacita o aluno a tomar decisões conscientes, contribuindo para o bem-estar econômico e social de toda a comunidade.
Implementar esse tema na grade curricular gera impactos positivos que vão muito além dos muros da escola. Podemos observar grandes benefícios para todos os partícipes do processo educacional.
O principal ganho é a autonomia. Ao aprender sobre orçamento, poupança e consumo consciente, o aluno desenvolve:
O conhecimento adquirido em sala de aula frequentemente atinge e reverbera para os outros membros da casa. O aluno torna-se um multiplicador do conhecimento e pode ajudar os pais a organizarem o orçamento doméstico, por exemplo.
A escola cumpre seu papel social de formar cidadãos integrais, fortalecendo o vínculo com a comunidade ao tratar de um tema de extrema relevância. Logo, isso resulta em cidadãos mais preparados, menos vulneráveis a problemas financeiros e mais aptos a contribuir para o desenvolvimento econômico do país.
Reconhecendo essa necessidade, o Ministério da Educação (MEC) instituiu recentemente o programa Na Ponta do Lápis. A iniciativa tem como objetivo principal promover a educação financeira, fiscal e previdenciária na educação básica em todo o país.
O foco é atingir alunos do ensino fundamental e médio, com atenção especial aos beneficiários do programa Pé-de-Meia. A meta é ambiciosa – alcançar mais de 30 milhões de estudantes e 2 milhões de professores, no entanto várias são as ferramentas utilizadas para atingir este objetivo.
Como funciona o programa?
Para participar dos programas, é preciso que as redes de ensino façam a adesão junto ao MEC, de fora voluntária. Quem adere ao programa recebe apoio para:
| Clique para conferir a página oficial do programa.
Para que programas voltados para a educação financeira como o “Na Ponta do Lápis” obtenham sucesso em sua aplicação, é fundamental que as escolas tenham acesso a materiais pedagógicos que dialoguem com a realidade e com a linguagem dos jovens.
É nesse cenário que a Coleção Pensar Grande se destaca como uma ação inovadora no campo educacional, pois trabalha de forma integrada ao currículo o tema.
A coleção é composta por diferentes recursos que se complementam para ampliar a compreensão dos alunos. O pilar central é o livro de apoio didático “Educação Financeira, Liderança e Empreendedorismo”, que trabalha esses temas transversais e integradores de grande relevância para o momento atual.
A sensibilização para o tema também ganha força através da leitura, incorporando a literatura como ferramenta de engajamento e utilizando histórias para ilustrar dilemas financeiros reais. Livros como “O Mistério do Cofre de Onofre” e “O Sonho da Turma” introduzem conceitos de economia e trabalho em equipe dentro de narrativas lúdicas. Dessa forma, facilita a identificação do tema por parte dos alunos e estimula o debate em sala de aula.
Esses materiais fornecem a estrutura necessária para que o professor aborde temas complexos — como orçamento, planejamento e gestão — de maneira acessível e lúdica.
O objetivo dessas obras é, portanto, ampliar o olhar sobre a Educação Financeira em paridade com as políticas públicas, mostrando a importância de se pensar e agir no hoje para garantir um amanhã mais seguro e responsável.